João Rodrigues vence a Volta num dramático CR no Porto

Se os últimos 10 dias forem indicativos, poderíamos mudar o nosso lema de #alwaysracing para #alwayswinning. Na 81ª Volta a Portugal, João Rodrigues e a sua equipa W52 FC Porto venceram a classificação final, o 3º lugar (de facto, quatro atletas terminaram no top 5) cinco vitórias em etapas, a camisola verde e a classificação por equipas.

Apesar da aparência de a equipa nº1 de Portugal ter dominado a corrida, na realidade a corrida foi disputada de forma renhida até ao Contra Relógio final no Porto – onde os dois primeiros classificados da geral Joni Brandão (EFAPEL) e João Rodrigues (W52 FC PORTO) chegaram empatados. A 81ª edição da prova apresentou um dos mais difíceis percursos da sua história, com cinco etapas a terminar em montanha. Os peritos previram que a corrida fosse disputada até ao final. Mas pouco pensavam que Brandão e Rodrigues tivesses que lutar literalmente até à meta final – quem fosse o mais rápido no Contra Relógio, na última etapa, ganharia a corrida.

Segundo Gustavo Veloso, que terminou em 3º na classificação geral e pode vestir a camisola amarela durante a corrida, o segredo da época de sucesso da equipa foi as melhorias significativas que fizeram na disciplina de Contra Relógio. Ao ganhar quase todos os Contra Relógios em que participaram esta época, a equipa claramente está um degrau acima dos seus adversários. Veloso destacou uma vantagem chave de 2019. “Se a equipa é a mesma, só podemos apontar para o que é diferente. Estivemos muito bem esta época, sobretudo nos contra relógios e a grande diferença está nas bicicletas e nas rodas.”, indica o galego referindo-se às SwiftCarbon Neurogen e às rodas BlackJack.

Mesmo aos 39 anos, Veloso é ainda considerado um especialista de CR e as suas duas vitórias na Volta a Portugal são prova de isso mesmo.

Contudo este ano, Rodrigues é que foi a estrela da equipa. Depois de um top 10 na Volta ao Algarve e de ganhar a Volta ao Alentejo, todos sabiam que ele iria ser um candidato a ganhar a Volta a Portugal. Com a ausência de Raul Alarcon, Velos seria o líder por defeito. A equipa procurou controlar a corrida em seu favor – impondo um ritmo alto e constante nas subidas, em vez de ataques explosivos que não são tão compatíveis com a fisionomia de Veloso.

Na subida mais alta, na Torre, Rodrigues venceu a etapa, batendo ao sprint Veloso e Brandão. Durante a subida, era claro que Brandão estava a passar dificuldades, mas a equipa W52 FC Porto abordou a corrida com precaução – não atacaram para evitar as mudanças de ritmo que podiam desgastar Veloso. Entretanto, Rodrigues apenas seguia na roda dos seus companheiros. Esta decisão quase poderia ter deitado a corrida a correr para equipa nortenha, desperdiçaram a oportunidade de eliminar a ameaça que é Brandão à sua vitória na classificação geral.

 

Depois do dia de descanso veio uma etapa de transição que se previa tranquila, sem grandes acontecimentos. Mas como no ciclismo as coisas raramente correm de acordo com o plano – na última curva antes da meta, três corredores da W52 FC Porto caíram na estrada molhada e escorregadía: Daniel Mestre (na altura portador da camisola verde da classificação por pontos), Veloso e Rodrigues saíram machucados da queda. Isto deu a Brandão um aumento de confiança e com isso conseguiu “roubar” uma segundos preciosos na etapa seguinte na Serra do Larouco. A sorte da equipa parecia estar a mudar – Brandão acaba a etapa com a camisola amarela e como favorito para a levar até ao Porto.

A W52 FC Porto estavam a ficar sem tempo para fazer a diferença e exercer pressão nas seguintes etapas de montanha para poder recuperar a camisola amarela teriam que discutir a vitória no Contra Relógio final. Na última etapa de montanha a equipa mudou de táctica. A certa altura António Carvalho até se tornou líder virtual da prova quando seguia na fuga. Carvalho acabaria por vencer a etapa na Sra da Graça, mas a batalha decorria lá atrás e todos os olhos estavam postos em Rodrigues, na antecipação de saber se ele conseguiria tirar algum tempo a Brandão, e se Veloso perderia mais tempo. No final da etapa Rodrigues ganhou dois segundos, empatando o seu tempo com Brandão na geral, mesmo antes do CR.

Agora Rodrigues iria correr em casa. Os fãs do FC Porto são alguns dos mais fervorosos adeptos. Foram 19,5 kms de bandeiras, cânticos e gritos – emoção pura, para o público e para os ciclistas. A volta mais renhida e mais disputada dos últimos anos teria a sua apoteose no centro do Porto. O público encheu as ruas de paralelo para presenciar a acção de cortar a respiração e de presenciar história no ciclismo português – dois dos melhores ciclistas portugueses da sua geração, mano-a-mano.

 

Com Rodrigues a apresentar os melhores tempos intermédios, tornou-se claro que ele estava a ter um melhor dia que Brandão. Contrastando com a pedalada suave e perfeitamente redonda de Veloso, Rodrigues martelava nos pedais, alimentado por uma fome enorme de vitória. Costumamos dizer “anda nela como se fosse roubada”. Bem, Rodrigues realmente roubou a camisola amarela de Brandão, vencendo a etapa e, por sua vez, a Volta a Portugal de 2019.

Dados Chave:

 

5 Vitórias em etapa, classificação geral individual, camisola de pontos, classificação por equipas.

 

Total de Vitórias:

 

2x vitória de etapa com a Neurogen

 

2x vitória de etapa com a UltraVox

 

1x vitória de etapa com a HyperVox

 

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